O filme From Hell, dirigido pelos Hughes Brothers, completa 25 anos em outubro de 2026. Alan Moore, autor da graphic novel original, ainda mantém sua aversão ao longa‑metragem, sobretudo à interpretação de Johnny Depp como o inspetor Frederick Abberline.
O que aconteceu
Alan Moore escreveu From Hell como uma série serial entre 1989 e 1998, antes de ser reunida em edição única em 1999 pela Top Shelf Productions. A obra mistura o caso real dos assassinatos de Jack, o Estripador, com teorias conspiratórias que apontam para um bebê real da realeza, baseando‑se nos estudos de Stephen Knight. O quadrinho recebeu diversos prêmios Eisner e Harvey por sua narrativa densa e estilo inovador.
Em 2001, os irmãos Hughes adaptaram a história para o cinema, lançando o filme em 19 de outubro. Johnny Depp foi escalado como o inspetor Abberline, enquanto Heather Graham interpretou a jovem prostituta Mary Kelly. A produção adotou uma abordagem mais estilizada, inserindo o personagem de Depp em um perfil boêmio, consumindo absinto e frequentando casas de ópio.
Desde o primeiro dia de divulgação, Moore manifestou seu descontentamento. Em entrevista à MTV, ele descreveu o Abberline histórico como um homem discreto, fiel à esposa e sem hábitos de bebida, contrastando fortemente com a versão dândi de Depp. Moore chegou a afirmar que o ator transformou um policial “respeitável” em “um dândi de absinto que seria espancado pelos colegas da Metropolitan Police em 1888”.
O desagrado de Moore não se limitou ao casting. Ele declarou que certas histórias simplesmente não deveriam ser convertidas em filme, e que a adaptação de From Hell falhou em capturar a essência da obra original.
Como chegamos aqui
Alan Moore tem um histórico de rejeição às adaptações de seus trabalhos. Após The League of Extraordinary Gentlemen, ele exigiu que seu nome fosse retirado dos créditos, criticando a decisão de Sean Connery de suavizar o vício de Allan Quatermain. Essa postura se estendeu a outras obras icônicas:
- Watchmen – Moore recusou-se a assistir ao filme de Zack Snyder e à série da HBO, alegando que a versão cinematográfica não refletia seu ponto de vista original.
- V for Vendetta – O autor desaprovou a ênfase no neoconservadorismo americano, divergindo do tema central de anarquia, e também evitou assistir ao filme.
- Vários outros – Moore não aceita ter seu nome nos créditos de nenhuma adaptação, nem receber royalties, pois acredita que filmes ruins afastam o público das leituras originais.
Essas decisões foram motivadas por uma preocupação constante: a má qualidade das adaptações pode prejudicar a reputação dos livros e desencorajar novos leitores. Moore chegou a afirmar que, ao assistir a um filme ruim, ele prefere não pagar pela produção, pois considera que o trabalho deveria permanecer no formato de quadrinho.
Além das críticas públicas, Moore tem mantido um distanciamento ativo das produções. Ele não assiste a nenhum filme ou série baseada em suas histórias, incluindo From Hell. Essa postura reforça sua mensagem de que as obras devem ser apreciadas em seu formato original, sem a interferência de adaptações que, em sua visão, deturpam a narrativa.
O que vem depois
Com o 25º aniversário de From Hell chegando, a discussão sobre a relação entre quadrinhos e cinema ganha novo fôlego. Embora o filme continue a ser exibido em serviços de streaming e a gerar debates, a posição firme de Moore permanece inalterada. Ele continua a recusar crédito e a desencorajar a leitura de suas obras por meio de adaptações cinematográficas.
Para os fãs que desejam experimentar a história conforme a visão do autor, a recomendação é buscar a edição coletada de From Hell, que oferece uma imersão profunda nos detalhes históricos e nas teorias conspiratórias que inspiraram a trama. A obra ainda está disponível em formato impresso e digital, permitindo que leitores descubram a narrativa sem a interferência de interpretações visuais.
Enquanto isso, a indústria do entretenimento continua a explorar o rico catálogo de Alan Moore, mas os contratos futuros tendem a incluir cláusulas que limitam o uso do nome do autor nos créditos, seguindo o precedente estabelecido após as controvérsias de V for Vendetta e Watchmen. Essa tendência pode mudar a forma como as adaptações são anunciadas e comercializadas, colocando maior ênfase na obra original.
Em síntese, o 25º aniversário de From Hell serve como lembrete de que, apesar da popularidade das adaptações, a visão criativa de Alan Moore permanece protegida por sua própria decisão de afastar seu nome das telas. O futuro das adaptações de suas obras dependerá da capacidade dos estúdios de respeitar essa postura e de entregar produções que honrem o espírito das histórias originais.
Para ficar no radar
Se você acompanha as discussões sobre adaptações de quadrinhos, vale observar os seguintes pontos nos próximos meses:
- Novas cláusulas contratuais de autores que exigem a remoção de nomes dos créditos.
- Possíveis relançamentos de filmes clássicos de Moore em plataformas de streaming, sempre acompanhados de avisos sobre a falta de aprovação do autor.
- Eventos de comemoração, como exposições ou edições especiais de From Hell, que podem trazer à tona novas análises da obra.
Fique atento às notícias e, se quiser entender a visão de Moore, a leitura direta da graphic novel continua sendo a melhor escolha.


