TL;DR: Corey Wilder contou como improvisou em New Panty & Stocking, descreveu a gravação de cenas absurdas de Gachiakuta e explicou sua filosofia ao dar vida a personagens como Land e Will.
O que aconteceu
No Anime Central 2026, o dublador norte‑americano Corey Wilder sentou para uma entrevista que acabou virando aula de improviso e filosofia de atuação. Ele já é a voz de personagens marcantes como Zanka em Gachiakuta, Land em Frieren: Beyond Journey’s End e Will Serfort em Wistoria: Wand & Sword. Durante a conversa, Wilder revelou que, enquanto Gachiakuta exigiu pouca mudança no roteiro, New Panty & Stocking with Garterbelt foi quase um laboratório de gírias Gen‑Z, com liberdade para inserir "high key", "low key" e "dead ass" nas falas.
Ele ainda contou, entre risadas, sobre a famosa cena do desentupidor (plunger) em Gachiakuta, que o fez parar de levar o personagem tão a sério e se jogar no humor "Scooby‑Doo" da gravação. O processo de gravação não segue ordem rígida: às vezes Wilder gravava antes do colega Bryson Baugus, outras vezes depois, tudo dependendo da disponibilidade da equipe.
Quando o assunto mudou para Frieren, Wilder explicou que seu personagem Land, normalmente sério e monótono, foi um desafio diferente dos papéis mais "barulhentos" que costuma receber. Ele também falou sobre a conexão pessoal que sente ao dublar Will, um personagem que luta contra a sensação de inferioridade – algo que o ator relaciona às próprias experiências esportivas na adolescência.
Como chegamos aqui
Corey Wilder não apareceu do nada no circuito de dublagem. Ele começou a ganhar notoriedade ao emprestar sua voz a Zanka em Gachiakuta, um anime que já trazia nas entrelinhas um vocabulário muito influenciado pela cultura AAVE e pela internet. O diretor Lee George, um dos poucos diretores negros da Crunchyroll, deu ao elenco liberdade para "colocar a própria marca" nas falas, mas ainda assim o script de Gachiakuta já estava carregado de referências urbanas.
Já em New Panty & Stocking, o cenário mudou: os criadores entregaram ao elenco um briefing completo, pedindo que os dubladores "fizessem os personagens o mais Gen‑Z possível". Wilder e seu parceiro de gravação Hunter McCoy, ambos nascidos nos anos 2000, aproveitaram o briefing para encher o diálogo de expressões da geração, como "high key" e "low key". Essa abordagem colaborativa de improvisação é ainda rara no meio, onde o script costuma ser tratado como lei.
Além das duas dublagens mais modernas, Wilder também tem um histórico diversificado: ele dublou Polyurethane em New Panty & Stocking, Rod Bauer em I’m in Love with the Villainess, Haruto Satō em Tales of Wedding Rings, Liu Xiao em LINK CLICK e Justice em ZENSHU. Cada papel trouxe um aprendizado diferente, mas o ponto em comum é a busca por colocar um pedaço de si mesmo em cada personagem.
- Improvisação: mais presente em Panty & Stocking graças ao briefing.
- Roteiro rígido: Gachiakuta já carregava o tom urbano, exigindo menos alterações.
- Processo de gravação: não há ordem fixa; depende da disponibilidade e da dinâmica do estúdio.
Wilder também destacou que, ao interpretar personagens como Land e Will, ele busca "puxar algo da própria vida" – seja a monotonia de um sniper sonolento ou a frustração de um atleta que nunca se sentiu o melhor. Essa filosofia de usar experiências pessoais para dar autenticidade ao personagem é um dos segredos do seu sucesso.
O que vem depois
Anime Central 2026 volta de 15 a 17 de maio, e a expectativa é que Wilder participe de mais painéis e sessões de autógrafos. Para quem quiser aprofundar o assunto, a entrevista completa está disponível no site oficial do evento, com trechos em áudio que mostram a energia da gravação ao vivo.
Além disso, a tendência de permitir improvisação em dublagens pode ganhar mais força. Produtoras que adotarem esse modelo podem atrair um público mais jovem, que reconhece as gírias e referências contemporâneas. Por outro lado, ainda há quem defenda a fidelidade ao script original para preservar a intenção do criador.
Se você curte acompanhar a evolução da dublagem, vale ficar de olho nas próximas produções da Crunchyroll e da Funimation, que estão testando novos formatos de colaboração entre roteiristas e dubladores. O futuro pode trazer ainda mais liberdade criativa – e, quem sabe, mais cenas de desentupidor que façam até o ator rir na gravação.
Para ficar no radar
Corey Wilder demonstra que a dublagem moderna está longe de ser apenas ler linhas; é um espaço de experimentação, identidade e até terapia pessoal. Enquanto alguns animes mantêm scripts fechados, outros como New Panty & Stocking mostram que improvisar pode trazer um frescor que ressoa com a geração Z. Fique atento aos próximos painéis do Anime Central, às entrevistas de dubladores emergentes e às novidades das plataformas de streaming que podem adotar esse estilo mais livre. O que está garantido é que, assim como Wilder, muitos atores vão continuar misturando a própria história com a dos personagens, criando performances que vão além da tela.


