Last Night in Soho completa cinco anos de estreia nos cinemas. O terror psicológico de Edgar Wright brilha na direção de arte e na fotografia de Chung Chung-hoon, mas o roteiro assinado com Krysty Wilson-Cairns divide opiniões até hoje e o filme bombou nas bilheterias.
Qual a premissa de Last Night in Soho?
Ellie (Thomasin McKenzie) é uma estudante de moda que se muda para Londres e começa a sonhar com Sandie (Anya Taylor-Joy), uma cantora aspirante nos anos 1960. O que parece uma viagem nostálgica pelo Swinging London vira pesadelo quando os sonhos revelam abuso, exploração e um mistério sobrenatural ligado ao passado da cidade.
Quem está no elenco principal?
- Anya Taylor-Joy como Sandie — a "garota dos sonhos" dos anos 60
- Thomasin McKenzie como Ellie — a protagonista contemporânea
- Matt Smith como Jack — o galã charmoso com segundas intenções
- Diana Rigg como Ms. Collins — a senhoria de Ellie (seu último papel no cinema)
- Terence Stamp como o Cavalheiro de Cabelos Prateados
- Rita Tushingham como a avó de Ellie
Por que a direção de arte e a fotografia são tão elogiadas?
Chung Chung-hoon (The Handmaiden, It) assina a fotografia e recria o Soho dos anos 60 com neon vibrante, espelhos infinitos e transições fluidas entre passado e presente. A direção de arte evita clichês de "Londres retrô" e constrói sets que funcionam como extensão da psique das personagens — o clube café de Paris, o apartamento de Sandie, os espelhos que viram portais. É cinema de vitrine: cada quadro dá vontade de pausar e emoldurar.
Onde o roteiro tropeça?
A crítica mais recorrente — inclusive de Christina Newland no iNews — aponta para o tratamento dado ao trabalho sexual. O filme adota uma visão moralista que retira agência de Sandie e reforça o clichê de que a profissão só leva à ruína e morte. O "grande twist" final inverte a vitimização, mas de forma que soa vazia, sem empoderamento real. Wright e Wilson-Cairns acertam na estrutura de sonho, mas erram na política de gênero.
Como foi a recepção da crítica na época?
75% de aprovação no Rotten Tomatoes — um "fresh" respeitável, mas abaixo da média histórica de Wright. O /Film deu 7,5/10, elogiando a saída da zona de conforto do diretor. Bilge Ebiri (Vulture) chamou de "affair intoxicante" apesar da fragilidade narrativa. Já Newland classificou a política do filme como "frustrantemente regressiva". Consenso: visualmente deslumbrante, narrativamente irregular.
Por que Last Night in Soho flopou na bilheteria?
Chegou aos cinemas em outubro de 2021, quando as salas ainda se recuperavam dos lockdowns da Covid. Mas não foi só o timing: o marketing vendia um terror estiloso e o público encontrou um drama sobrenatural com ritmo de novela gótica. A boca a boca morna e a falta de identidade clara (terror? suspense? drama de época?) fizeram o filme sumir rápido. Para Wright, foi o primeiro fracasso comercial desde Scott Pilgrim vs. the World.
Vale a pena rever hoje?
Se você curte direção de arte, fotografia e referências ao cinema britânico dos anos 60 — sim, absolutamente. O filme envelheceu bem visualmente e as atuações de Taylor-Joy e McKenzie sustentam o peso. Só entre sabendo que o roteiro não acompanha o nível do craft. Funciona melhor como experiência sensorial do que como narrativa fechada. E Diana Rigg merece cada segundo de tela em sua despedida.


