TL;DR: Emma Stone entrega uma performance marcante em Maniac, série limitada da Netflix de 2018 que mistura ficção científica, humor ácido e um mergulho profundo na dor da perda.
Maniac (2018) – A experiência psicodélica
Em Maniac, Stone interpreta Annie Landsberg, uma jovem atormentada que entra num experimento farmacêutico ao lado de Owen Milgrim (Jonah Hill). O tratamento, ao invés de curar, intensifica as alucinações, transportando os personagens para realidades paralelas tão bizarras quanto divertidas. Cada episódio traz uma nova identidade – de dona de casa a agente da CIA – permitindo que Stone explore uma gama de estilos de atuação que raramente vemos em papéis convencionais.
| Aspecto | Maniac (2018) | The Favorite (2020) | Poor Things (2023) |
|---|---|---|---|
| Gênero | Sci‑fi / Dramedy | Drama histórico / Black comedy | Fantasia / Satírica |
| Direção | Cary Joji Fukunaga | Yorgos Lanthimos | Yorgos Lanthimos |
| Personagem | Annie Landsberg – múltiplas encarnações | Abigail Masham – manipuladora de corte | Bella Baxter – mulher criada em laboratório |
| Tom de atuação | Camaleônica, humor ácido + vulnerabilidade | Seca, sarcástica, fria | Exuberante, grotesca, emocional |
| Temas centrais | Luto, culpa, escapismo | Poder, rivalidade feminina | Identidade, criação artificial |
The Favorite (2020) – O drama histórico com humor negro
Na minissérie de 2020, Stone troca a estética futurista por um palácio do século XVIII, interpretando Abigail Masham, uma cortesã que manipula a rainha da Inglaterra. O tom é mais seco, a atuação carregada de sarcasmo, e a narrativa foca no jogo de poder. Embora a performance seja aclamada, o cenário histórico limita a experimentação visual que Maniac oferece.
Poor Things (2023) – Fantasia satírica e ousadia estética
O papel de Bella Baxter em Poor Things leva Stone ao auge da estranheza: uma mulher criada em laboratório que desafia normas de gênero e moralidade. A direção de Lanthimos cria um universo visualmente excêntrico, mas a história exige que o público aceite uma lógica quase surreal, algo que já era familiar em Maniac. A diferença está na camada de crítica social mais explícita.
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Se você curte uma mistura de humor ácido, ficção científica e drama psicológico, Maniac é a escolha ideal. O formato de 10 episódios permite que a narrativa se desenvolva lentamente, dando tempo para que as alucinações de Annie se tornem quase palpáveis. Para quem prefere um cenário histórico com diálogos afiados e uma trama de intriga de corte, The Favorite entrega mais do que basta. E se a sua praia é o grotesco, o visualmente ousado e a crítica social afiada, Poor Things supera as outras duas em termos de originalidade estética.
Em termos de atuação, a versatilidade de Stone em Maniac se destaca: ela consegue ser ao mesmo tempo hilária, vulnerável e assustadora. A série ainda tem um bônus de produção – design de produção inspirado em anúncios de farmácias dos anos 80 e uma trilha sonora que mistura synthwave com orquestra – que a torna um prato completo para quem ama o visual retro‑futurista. Por isso, para quem busca uma experiência completa que combine performance, estética e temática, Maniac ainda merece ser revisitada, mesmo oito anos após seu lançamento.
Além da trama, a série aborda um ponto que poucos notam: a forma como a tecnologia é usada como paliativo para a dor emocional. O criador Patrick Somerville explicou que a ideia nasceu da observação de como a sociedade moderna tenta "comprar" intimidade e alívio através de apps e serviços de assinatura. Essa crítica ainda ressoa em 2024, quando a dependência de plataformas digitais está mais forte que nunca.
O humor de Maniac também tem raízes em clássicos cult como Brazil de Terry Gilliam e Eternal Sunshine of the Spotless Mind. As sequências de alucinação são tão elaboradas que lembram um episódio de Severance, onde o absurdo corporativo se mistura com o terror psicológico. Essa mistura de referências cria uma atmosfera única que ainda não foi replicada em nenhuma outra série da Netflix.
Se ainda não assistiu, vale a pena colocar Maniac na sua lista de "maratonas de série". A combinação de um elenco talentoso, direção visionária e roteiro que equilibra humor e melancolia faz dela um dos tesouros escondidos da plataforma.
Curioso para saber se Maniac ainda vale a pena em 2026? A resposta curta: sim. A série continua relevante, tanto pelos temas que aborda quanto pela forma inovadora como esses temas são visualmente representados.
Para quem quer aprofundar ainda mais, vale conferir a entrevista completa de Cary Joji Fukunaga sobre o processo criativo da série, disponível no canal oficial da Netflix.
Para ficar no radar
Embora Maniac não tenha recebido tantos prêmios quanto La La Land, sua importância cultural está crescendo. Críticos de TV agora a citam como referência quando falam de séries que misturam ficção científica com drama psicológico. Se você ainda não deu play, dê uma chance ao “experimento” – pode ser o ponto de partida para maratonas de séries que desafiam a mente.


