TL;DR: A MSI Claw 8 EX AI+ oferece desempenho incomparável entre os handhelds Windows, mas o Windows 11 e a tela LCD limitam a experiência geral.
O que aconteceu
A MSI lançou a versão EX da Claw 8 AI+, equipando o dispositivo com o novo SoC intel arc g3 Extreme e a gpu integrada B390. O aparelho chega ao mercado com 32 GB de RAM, SSD de 1 TB, tela ips 120 Hz 1920×1200 e controles de efeito hall. Seu preço está em torno de £1.399, quase o dobro de um steam deck oled, o que gera expectativas altas quanto ao retorno.
Nos testes de benchmark, a Claw 8 EX AI+ superou o Steam Deck OLED em vários títulos, chegando a mais de duas vezes a taxa de quadros em alguns jogos. Exemplos citados incluem Resident Evil Requiem (57 fps em Low com FSR), Elden Ring (acima de 50 fps em Medium) e Forza Horizon 5 (81 fps em High). A máquina também manteve desempenho consistente em Black Myth: Wukong e Big Walk, mostrando que o hardware realmente entrega a potência prometida.
Entretanto, a experiência não é isenta de falhas. O Windows 11, ainda que otimizado para dispositivos híbridos, apresenta bugs de UI que atrapalham a jogabilidade: notificações do Steam surgem no centro da tela, o modo fullscreen do Cyberpunk 2077 desaparece e o Xbox Full‑Screen Experience (FSE) tem atrasos ao iniciar, reduzindo a responsividade dos controles.
Quanto à tela, embora cubra 99 % do espaço de cor sRGB e ofereça taxa de atualização alta, o painel LCD apresenta contraste de 1.291:1 e brilho máximo de 418 cd/m² – valores inferiores ao modelo anterior (Claw 8 AI+), que alcançava 1.412:1 e 521 cd/m². O OLED do Steam Deck ainda se destaca em vivacidade e pretos profundos.
O ruído do ventilador é tolerável, e a autonomia varia entre 2 h 29 min em Elden Ring e 5 h 48 min no Portal 2, posicionando‑se entre o Deck OLED e o Legion Go S.
Como chegamos aqui
A trajetória dos handhelds Windows começou com dispositivos como o GPD Win e o Alienware Area‑51m, mas foi a chegada do Steam Deck que consolidou o segmento. A primeira geração da Claw 8 AI+ da MSI já se destacava por usar um chip Intel de 12ª geração, porém ficou aquém nas expectativas de desempenho frente aos concorrentes AMD. A introdução do Arc G3 Extreme, que já mostrava força em laptops finos, trouxe a oportunidade de redefinir o padrão de potência portátil.
Ao mesmo tempo, o mercado sofreu com escassez de RAM e chips devido à demanda de data‑centers de IA, o que elevou os custos de produção. Isso explica o preço quase dobrado da Claw 8 EX AI+ em relação ao Deck OLED. A MSI tentou justificar o valor ao incluir 32 GB de memória e 1 TB de SSD, além de controles Hall‑effect que prometem maior precisão.
Por outro lado, a escolha de manter o Windows 11 como sistema operacional, ao invés de um Linux‑based SteamOS, traz duas consequências: maior compatibilidade com jogos Windows‑only, mas também a perpetuação de uma UI não otimizada para telas pequenas e toque. Enquanto o Steam Deck evolui seu SteamOS com recursos como o Big Picture, a MSI ainda depende de soluções de terceiros como o Xbox FSE, que ainda apresenta instabilidade.
Em termos de concorrência, o Lenovo Legion Go 2, anunciado para 2025, utiliza um chip AMD Ryzen 7040 e promete preços semelhantes, mas ainda não foi testado. A Asus ROG Xbox Ally X, que trouxe um Ryzen de segunda geração, mostrou ganhos modestos, reforçando que a mudança para a arquitetura Intel foi a jogada mais ousada da MSI.
O que vem depois
Para quem considera investir na Claw 8 EX AI+, a decisão depende de prioridades:
- Desempenho bruto: se o objetivo é rodar títulos AAA em alta taxa de quadros, a Claw 8 EX AI+ entrega o que promete.
- Experiência de uso: quem valoriza uma UI fluida e baixa latência de toque pode se frustrar com o Windows 11.
- Qualidade de tela: jogadores que priorizam cores vibrantes e pretos profundos ainda encontrarão melhor opção no Steam Deck OLED.
- Orçamento: o preço elevado pode ser justificado apenas se a potência extra for indispensável.
Um caminho provável para a MSI é adaptar o SteamOS ao hardware da Claw 8 EX AI+, o que reduziria os problemas de UI e aproveitaria melhor o desempenho da GPU. Enquanto isso, a Intel promete novos chips Arc com melhor eficiência energética, o que pode melhorar a autonomia em futuras revisões.
Em resumo, a Claw 8 EX AI+ representa um marco de potência para handhelds Windows, mas ainda carrega as cicatrizes herdadas do ecossistema Windows. A decisão de comprar deve pesar o ganho de desempenho contra a experiência geral e o custo.
Para ficar no radar
Fique atento aos próximos anúncios da Intel sobre a série Arc G4, que pode trazer melhorias de eficiência e suporte nativo ao FSR 4. Também acompanhe a chegada do Lenovo Legion Go 2, que promete competir diretamente com a Claw 8 EX AI+ em termos de desempenho e preço. Por fim, observe se a MSI lança uma atualização de firmware que habilite o SteamOS oficial – essa mudança pode ser decisiva para quem busca uma experiência portátil mais refinada.


