TL;DR: O remake de 1990 de Night of the Living Dead devolve à Barbara a chance de ser mais que um simples alvo dos zumbis, corrigindo a maior falha do original.
Por que o remake de 1990 de Night of the Living Dead precisava mudar?
O filme original, lançado em 1968, foi revolucionário ao mostrar zumbis em preto‑e‑branco, mas deixou um ponto crítico: a personagem Barbara passa a maior parte do tempo gritando e correndo sem realmente contribuir para a sobrevivência do grupo. Quando George Romero decidiu revisitar seu próprio clássico em 1990, ele percebeu que podia melhorar isso sem destruir a essência do terror.
Quem é a Barbara e qual era seu problema no filme original?
Barbara — interpretada por Duane Jones no original? (brincadeira, ele não é a Barbara, mas o ponto é que a personagem é a filha de Johnny) — é a jovem que, ao visitar o cemitério com o irmão, é atacada por um zumbi. No filme de 1968, ela chega à fazenda, se junta ao grupo liderado por Ben e, basicamente, passa o resto do tempo tremendo, sem fazer nada além de ser salva pelos outros. O problema não é que ela esteja com medo (é compreensível), mas que o medo a paralisa tanto que ela não tem arco de desenvolvimento.
Como o remake de 1990 devolveu a agência à Barbara?
No remake, a Barbara é interpretada por Patricia Tallman. Ela ainda começa aterrorizada, mas ao contrário do original, aos poucos vai tomando decisões, ajudando a organizar a defesa da fazenda e até sugerindo estratégias. Não é que ela se transforme num super‑herói de repente; ela simplesmente passa a reagir ao perigo de forma mais inteligente.
Alguns dos momentos que marcam essa evolução são:
- Ela ajuda a reforçar as portas usando tábuas encontradas no celeiro.
- Propõe a criação de armadilhas improvisadas com ferramentas agrícolas.
- Quando Ben está sobrecarregado, Barbara assume a liderança de um pequeno grupo para buscar suprimentos.
O que a mudança da Barbara traz à dinâmica do grupo?
Com a Barbara mais ativa, a relação entre os sobreviventes ganha novas camadas. Ben ainda é o líder, mas agora tem uma aliada que pode questionar suas decisões, o que gera discussões mais interessantes (e, convenhamos, menos monólogos de “não vamos abrir a porta”). A presença de uma personagem feminina que não fica só no papel de vítima também reflete uma evolução cultural: o público de 1990 já esperava personagens mais complexos.
Além disso, a tensão interna aumenta. Enquanto no original o grupo luta principalmente contra os zumbis, no remake eles também lidam com divergências sobre quem deve comandar, quem tem a melhor ideia de sobrevivência e quem está disposto a arriscar.
Vale a pena assistir ao remake de 1990?
Se você curte o clássico original e acha que ele ainda tem muito a oferecer, o remake vale a pena por três motivos:
- Cor e sangue: Ver os zumbis em cores faz a experiência mais visceral.
- Melhoria de personagem: Barbara ganha agência, tornando a narrativa mais equilibrada.
- Direção de Tom Savini: O mestre do efeito prático entrega cenas de maquiagem que ainda dão arrepios.
Não espere uma revolução total — o filme ainda mantém o clima claustrofóbico e a crítica social de Romero. Mas, como um patch de balanceamento em um jogo antigo, ele ajusta o que estava desequilibrado.
O que falta saber
Embora o remake tenha sido bem recebido por quem gosta de ver personagens femininas mais fortes, ele ainda não substitui o original de 1968 como referência histórica do gênero. A obra de Romero continua sendo estudada em cursos de cinema como marco de independência e inovação.
Se você quiser comparar as duas versões, vale a pena assistir ambas e observar como a narrativa evolui de 1968 para 1990. Spoiler: a única coisa que não mudou foi a inevitável presença dos zumbis batendo na porta.


