TL;DR: Depois de três décadas com o instrumento guardado num canto, o autor finalmente decide aprender a tocar ocarina e traz dicas práticas para quem quer seguir o mesmo caminho.
O que aconteceu
O ponto de partida foi uma ocarina de cor de tijolo comprada numa loja hippie de Birmingham, Inglaterra. O modelo tinha padrões em zigue‑zague que lembravam artesanato "étnico" – o tipo de coisa que você vê em fotos de Instagram de viagem, mas que na prática serve mais como decoração de prateleira.
Alguns anos depois, durante uma mochila pela China, o autor encontrou duas ocarinas pendentes, lisas como se tivessem sido esculpidas por um vulcão. O material parecia pedra, quase ignea, e o som que elas produziam tinha aquele timbre antigo que faz até o mais duro dos gamers lembrar das primeiras sessões de The Legend of Zelda: Ocarina of Time.
Mas, apesar de ter esses dois objetos curiosos, o autor nunca aprendeu a tocar. Eles ficaram como troféus de viagem, dignos de foto no Instagram, mas silenciosos. Até que, recentemente, o desejo de reproduzir a melodia icônica da trilha de Zelda se tornou tão forte que o autor decidiu que era hora de colocar a prática em dia – e que você também deveria.
Como chegamos aqui
Para entender por que alguém decide aprender a tocar ocarina depois de 30 anos, é preciso lembrar o impacto cultural do instrumento. Quando The Legend of Zelda: Ocarina of Time saiu em 1998, a ocarina virtual virou símbolo de poder: tocar a canção do Sol, a canção da Chuva, a canção da Luz – tudo isso sem precisar de um tutorial de YouTube.
Esse poder mágico acabou transbordando para o mundo real. Muitos fãs começaram a procurar o instrumento físico, seja em lojas de música, brechós ou até em feiras de artesanato. O resultado foi um boom de ocarinas artesanais, desde as de plástico baratas até as de cerâmica finamente trabalhadas.
O autor, porém, nunca se sentiu confiante o suficiente para começar. O medo de soar como um pato desafinado, a falta de um professor e a ideia de que “já é tarde demais” eram barreiras psicológicas maiores que a própria curva de aprendizado.
Foi então que a comunidade online entrou em cena. Fóruns de Zelda, subreddits dedicados a instrumentos de sopro e até vídeos curtos no TikTok mostraram que, com prática regular, qualquer um consegue tocar as melodias básicas em menos de um mês. O autor, inspirado por esses conteúdos, decidiu comprar um método de ensino simples, baixar um aplicativo de metrônomo e, principalmente, aceitar que errar faz parte do processo – como quando você tenta um combo no Street Fighter e sai tudo errado.
Com esse mindset, o autor tirou a poeira das ocarinas, afinou o instrumento (sim, elas têm afinação) e começou a praticar as três canções mais famosas do jogo: Saria's Song, Zelda's Lullaby e Epona's Song. O resultado? Um som que ainda lembra um pouco um apito de gato, mas que já traz aquele frio na barriga que só a música dos jogos clássicos consegue proporcionar.
O que vem depois
Agora que o primeiro passo foi dado, o caminho à frente envolve prática consistente, exploração de repertório e, claro, um pouco de diversão. Abaixo, uma lista de dicas para quem quer seguir o mesmo caminho:
- Escolha a ocarina certa: modelos de cerâmica ou barro costumam ter melhor ressonância, mas são mais frágeis. Se você é iniciante, um modelo de plástico pode ser mais resistente ao uso diário.
- Aprenda a respiração correta: o segredo está em usar o ar de forma constante, como se fosse um suspiro de dragão. Comece com notas longas e vá diminuindo a pressão.
- Use um metrônomo: manter o tempo é crucial. Comece devagar (60 bpm) e aumente gradualmente.
- Pratique as músicas do jogo: as canções de Zelda são curtas e melódicas, perfeitas para treinar dedilhado e ritmo.
- Grave seu progresso: ouvir a própria gravação ajuda a identificar notas desafinadas e melhorar a entonação.
Além das práticas individuais, a comunidade de ocarina está crescendo. Encontros presenciais em convenções de games, livestreams de sessões de prática e até competições de covers são cada vez mais comuns. Participar desses eventos pode ser a motivação extra que você precisa para não abandonar o instrumento depois da primeira semana.
Por fim, vale lembrar que tocar ocarina não é só sobre reproduzir notas, mas sobre reviver memórias. Cada vez que o som da Zelda's Lullaby ecoa, você está conectando o passado dos jogos com o presente da sua própria jornada musical.
Para ficar no radar
Se você está pensando em começar a tocar ocarina, não espere mais. O equipamento está ao alcance, o conteúdo de aprendizado está abundante e a comunidade está pronta para apoiar. Comece hoje, compartilhe seu progresso nas redes e, quem sabe, talvez seu próximo stream inclua uma sessão ao vivo de Ocarina of Time ao fundo.
Enquanto isso, continue acompanhando nossos artigos sobre cultura geek, porque sempre tem novidade que pode transformar seu hobby em paixão – seja um novo patch de jogo, um anime inesperado ou, como neste caso, a descoberta de que a música dos seus jogos favoritos pode ser tocada na vida real.


