O reboot de Power rangers (2017) foi recebido com críticas divididas e, ainda assim, ainda não recebeu o reconhecimento que merece. Enquanto alguns o descartam como um cash‑in mal‑feito, outros enxergam nele uma tentativa corajosa de atualizar um ícone dos anos 90 para o universo dos super‑heróis contemporâneos.
Fato: Power Rangers (2017) recebeu críticas mistas
Ao estrear, o filme dividiu críticos e fãs. A produção trouxe um elenco diversificado, efeitos visuais modernos e uma abordagem mais sombria, mas acabou sendo rotulada como “desnecessária” por parte da comunidade que valorizava a nostalgia pura.
Contexto: por que importa
Nos últimos anos, a indústria cinematográfica tem revisitado franquias antigas na esperança de captar tanto o público veterano quanto uma nova geração. Essa estratégia costuma gerar resultados polarizados: alguns reboots se tornam sucessos cult, enquanto outros desaparecem no esquecimento. Power Rangers (2017) se insere nesse cenário como um caso de estudo sobre como as expectativas de nostalgia podem prejudicar a apreciação de um projeto que, por mérito próprio, traz inovação.
Do ponto de vista cultural, o filme tentou modernizar personagens que, originalmente, eram estereótipos de alta escola dos anos 90. A escolha de um elenco mais inclusivo e a inserção de temas como identidade e responsabilidade social refletem uma tentativa de alinhar a franquia com as discussões atuais do público.
Reação dos fas/mercado
Os fãs de longa data reagiram de forma visceral. Muitos criticaram as mudanças nos trajes, a substituição de efeitos práticos por CGI e a reinterpretação de personagens icônicos. Por outro lado, um segmento considerável de espectadores mais jovens apreciou a estética atualizada e a narrativa mais séria.
- Pró: elenco talentoso (incluindo Gary Oldman e Michael Keaton), visual moderno e tentativa de aprofundar o arco emocional dos Rangers.
- Contra: perda de elementos de humor pastelão que marcaram a série original, e um ritmo que, para alguns, pareceu forçado.
No mercado, o filme não alcançou o sucesso de bilheteria esperado, mas encontrou uma segunda vida em plataformas de streaming, onde acumulou uma base de fãs que o recomenda como “um filme subestimado”.
O que esperar
Embora não haja planos oficiais para um novo filme da franquia, o desempenho consistente em serviços de streaming indica que o interesse persiste. Caso a Warner Bros. decida reviver a saga, há lições claras a serem tiradas:
- Equilibrar nostalgia com inovação, preservando elementos-chave que definiram a identidade original.
- Investir em roteiros que explorem o universo dos Rangers sem depender exclusivamente de efeitos especiais.
- Escutar a comunidade nerd, que tem se mostrado cada vez mais vocal nas redes sociais.
Se esses pontos forem considerados, um futuro reboot poderia transformar o que hoje é visto como um “erro de cálculo” em um renascimento digno da franquia.
O lado que ninguém está vendo
O que costuma passar despercebido é que Power Rangers (2017) oferece, de forma sutil, uma crítica à própria indústria de remakes. O filme expõe como a pressão por resultados financeiros pode empurrar diretores a sacrificar a autenticidade em favor de fórmulas seguras. Ao analisar a obra sob essa lente, percebemos que ela vai além de um simples entretenimento de ação: é um reflexo das tensões entre arte e comércio.
Além disso, a escolha de abordar temas como aceitação e responsabilidade social coloca o reboot em um patamar mais relevante culturalmente do que muitos reconhecem. Enquanto a maioria dos críticos focou apenas nos aspectos visuais, a mensagem subjacente sobre a importância de encontrar seu propósito – mesmo que você seja um adolescente vestido de traje colorido – ressoa com o público contemporâneo.
Portanto, antes de descartar o filme como mais um “cash‑in”, vale a pena revisitá‑lo com olhos críticos, reconhecendo suas ambições e os riscos que assumiu ao tentar reinventar um clássico. Talvez, ao fazer isso, descubramos que o reboot de Power Rangers (2017) foi, na verdade, um experimento ousado que merece ser lembrado.


