Red Lights (2012) arrecadou cerca de US$ 14 milhões nas bilheterias e foi duramente criticado por críticos e público. O thriller sobrenatural de Rodrigo Cortés, estrelado por Cillian Murphy e Robert De Niro, acabou sendo considerado um dos maiores fracassos da carreira dos envolvidos.
Qual é a premissa de Red Lights?
O filme acompanha Tom Buckley (Cillian Murphy), um físico que trabalha ao lado da professora Margaret Matheson (Sigourney Weaver) em um laboratório universitário dedicado a desmascarar o sobrenatural. Eles enfrentam Simon Silver (Robert De Niro), um médium cego que abandonou os palcos depois que um escético morreu misteriosamente. Quando Silver decide voltar ao estrelato, Tom entra em ação para provar que ele é uma fraude.
Por que a trama pareceu promissora no papel?
A ideia de colocar céticos acadêmicos contra um médium carismático tem um apelo imediato: mistura ciência, suspense e a eterna batalha entre razão e fé. Além disso, o elenco conta com nomes de peso – Murphy, De Niro, Weaver e Elizabeth Olsen – o que gerou expectativas altas nos primeiros trailers.
Quais foram os principais problemas apontados pelos críticos?
Apesar da premissa intrigante, o filme tropeçou em três áreas cruciais:
- Roteiro inconsistente: o desenvolvimento dos personagens é superficial e a lógica interna se desfaz nos últimos atos.
- Clímax insatisfatório: a resolução deixa pontas soltas e desfaz o tom de investigação que sustentava a narrativa.
- Direção de arte exagerada: cenas de suspense são ofuscadas por um estilo visual que beira o camp, como destacou o crítico Alonso Duralde.
Roger Ebert chegou a dizer que o filme começou bem, mas “despenca” nos momentos decisivos, enquanto Duralde o classificou como “um dos filmes mais ridículos do ano”.
Como a atuação do elenco se saiu?
Mesmo com um roteiro fraco, o elenco entrega performances sólidas. Murphy traz a típica intensidade que o público espera, enquanto De Niro, apesar de um papel limitado, consegue transmitir a aura de um médium manipulador. Weaver, como a cética Margaret, oferece um contraponto intelectual que, embora subutilizado, ainda brilha em alguns diálogos.
O filme trouxe alguma inovação ao gênero thriller sobrenatural?
Não exatamente. Red Lights tenta aprofundar a discussão entre céticos e crentes, mas acaba se apoiando em clichês já vistos em obras como "O Iluminado" e "O Sexto Sentido". A tentativa de inserir “agentes sabotadores” dentro do universo dos céticos parece forçada e não acrescenta nada de novo ao debate.
Qual foi a reação do público nas salas de cinema?
O público refletiu a opinião dos críticos: poucos ingressos foram vendidos e a taxa de ocupação foi baixa. A sensação geral foi de decepção, principalmente entre os fãs de thriller que esperavam uma trama mais inteligente e menos caricata.
Red Lights ainda tem algum valor para quem gosta de filmes de ceticismo?
Para os entusiastas do tema, o filme pode servir como ponto de partida para discussões sobre a representação de céticos na cultura pop. Ele demonstra como a indústria cinematográfica ainda luta para equilibrar entretenimento e rigor intelectual quando aborda o paranormal.
O lado que ninguém está vendo
O fracasso de Red Lights não pode ser atribuído apenas ao roteiro. O contexto de 2012, com o crescimento de séries de streaming que exploravam o sobrenatural de forma mais sofisticada (como "Stranger Things"), fez com que o filme parecesse antiquado. Além disso, a escolha de focar em um laboratório universitário como palco principal afastou o espectador da atmosfera misteriosa que um cenário mais gótico poderia proporcionar.
Outro ponto negligenciado foi a oportunidade de explorar a dinâmica entre De Niro e Murphy. Um duelo de intelectos entre um médium experiente e um cientista obstinado poderia ter rendido diálogos memoráveis, mas o filme optou por cenas de ação simplistas e confrontos físicos. Essa decisão acabou diluindo o potencial de um embate verbal que poderia ter elevado o nível da obra.
Por fim, a falta de apoio de marketing eficaz contribuiu para o desempenho desastroso. Enquanto outros lançamentos de 2012 contavam com campanhas virais, Red Lights recebeu pouca divulgação, o que fez com que a maioria do público sequer soubesse de sua existência nos cinemas.
Para ficar no radar
Se você ainda quiser assistir a Red Lights, procure por versões em DVD ou nas plataformas de streaming que o hospedam. Apesar das falhas, o filme pode ser apreciado como um caso de estudo sobre como um conceito forte pode ser sabotado por execução fraca. Avalie-o com a mentalidade de crítico: identifique o que funcionou e o que não funcionou, e use essa experiência para escolher melhor seus próximos thrillers sobrenaturais.


