Rian Johnson, diretor de Knives Out (2019) e The Last Jedi (2017), decidiu criar um aplicativo de câmera para iphone que reproduz a estética das fotos que ele costuma fazer com sua leica m6.
O que aconteceu
Em entrevistas recentes, Johnson revelou que, apesar de sua preferência por fotografia analógica, ele recorre ao iPhone quando a rapidez é essencial no set. A constatação de que as imagens capturadas com o celular não correspondiam ao grau de cor e contraste que ele aplica às filmagens o levou a questionar a viabilidade de um software próprio.
O diretor explicou que o objetivo do aplicativo é aplicar, em tempo real, um “grade” visual semelhante ao que ele utiliza nas pós‑produções cinematográficas. Ele descreveu o processo como “um esforço para traduzir a linguagem visual analógica para o ambiente digital do iPhone”.
Como chegamos aqui
Johnson tem um histórico de uso de equipamentos fotográficos tradicionais. Desde o início da sua carreira, ele foi fotografado com uma Leica M6 – câmera de 35 mm conhecida por sua construção mecânica robusta e qualidade de imagem clássica. Essa preferência se refletiu nos bastidores de Knives Out, onde ele documentou a produção em filme, e em The Last Jedi, onde utilizou a mesma câmera para capturar referências de iluminação.
Com o avanço das câmeras de smartphones, especialmente a partir do iPhone 12, que introduziu sensores maiores e processadores de imagem mais potentes, o número de diretores que utilizam dispositivos móveis para captura rápida aumentou. No entanto, Johnson percebeu que, mesmo com esses avanços, as fotos ainda careciam da gradação de cor que ele costuma aplicar em softwares de correção de cor como DaVinci Resolve.
Para contornar essa limitação, ele decidiu desenvolver um aplicativo próprio. O projeto começou com a definição de requisitos técnicos:
- Compatibilidade com iOS 15 ou superior, garantindo acesso às APIs de captura RAW.
- Implementação de perfis de cor personalizáveis que simulam o contraste e a saturação da Leica M6.
- Interface mínima para permitir ajustes rápidos durante as filmagens.
Em seguida, Johnson contratou uma equipe de desenvolvedores especializados em processamento de imagem móvel. O time utilizou o framework Core Image da Apple para criar filtros que replicam a curva de tonalidade da película analógica que ele prefere.
Durante a fase de testes internos, o diretor comparou lado a lado imagens capturadas com a câmera nativa do iPhone e com o novo aplicativo. Os resultados mostraram uma redução de até 30 % nas diferenças de gama de cores, aproximando as fotos digitais do aspecto “film grain” característico das imagens de 35 mm.
O que vem depois
Johnson ainda não divulgou uma data oficial de lançamento para o aplicativo. Ele afirmou que pretende utilizá‑lo inicialmente em projetos futuros, como o próximo filme que está em fase de pré‑produção. A expectativa é que, ao validar o desempenho em ambiente de produção, ele avalie a viabilidade de disponibilizar o app para outros profissionais da indústria cinematográfica.
Além da funcionalidade principal de gradação de cor, Johnson mencionou que o app pode receber recursos adicionais, como:
- Exportação direta em formatos RAW e DNG para integração com pipelines de pós‑produção.
- presets inspirados em diferentes tipos de filme, como Kodak Portra 400 e Fujifilm Pro 400H.
- Ferramentas de anotação para registro de parâmetros de iluminação no set.
Se o aplicativo alcançar aceitação entre diretores e fotógrafos, ele pode abrir caminho para uma nova categoria de ferramentas de captura que combinam a praticidade dos smartphones com a estética do cinema analógico.
Para ficar no radar
Os desenvolvedores interessados em seguir a evolução do projeto podem acompanhar as atualizações nas redes sociais de Rian Johnson e nas publicações de tecnologia de cinema. Enquanto isso, a comunidade de fotógrafos de set continuará a observar como a integração de hardware tradicional (Leica M6) e software móvel pode influenciar futuras práticas de documentação de produção.
Em resumo, a iniciativa de Johnson demonstra um ponto de convergência entre a tradição analógica e a inovação digital, reforçando a tendência de personalização de ferramentas de captura em ambientes de alta demanda visual.


