TL;DR: Noah Segan revelou duas lições que aprendeu com Rian Johnson – um "não‑jerks policy" que virou "we have fun" e a importância de manter o roteiro quente na cabeça – e explicou como essas ideias ajudaram a criar o clima analógico‑digital de The Only Living Pickpocket in New York.
FATO: Noah Segan aprendeu duas lições de Rian Johnson
Em entrevista exclusiva concedida via Zoom, o diretor e ator Noah Segan contou que Rian Johnson, com quem trabalhou em Brick (2005), lhe ensinou duas coisas fundamentais para a direção: primeiro, transformar a política de "não‑jerks" em um ambiente de diversão coletiva; segundo, tratar o roteiro como um músculo que precisa ser exercitado mentalmente o tempo todo. Segan disse que essas ideias foram cruciais para moldar The Only Living Pickpocket in New York, seu filme que já está em exibição limitada e amplia nacionalmente em 30/10/2026.
Contexto: por que importa
O filme chega num momento em que a maioria das produções aposta em conceitos de escala épica – apocalipses, universos multiversais e superpoderes que literalmente mudam a realidade. Segan, ao contrário, escolheu um drama de crime de bairro, quase um neo‑noir dos anos 70, que coloca um ladrão de carteiras aposentado contra a modernidade digital. Essa escolha reflete um dilema cultural: a geração que ainda curte vinil, discos de vinil e carrinhos de rolimã precisa encontrar seu espaço num mundo dominado por smartphones e pagamentos por NFC.
Além do contraste temático, a entrevista traz insights práticos de produção que podem servir de manual para cineastas independentes. Manter o roteiro “quente” – ou seja, visualizar as cenas como se já estivessem gravadas – ajuda a evitar bloqueios criativos e a economizar tempo em set, algo que Segan enfatizou ao falar sobre a cena de dança de John Turturro, gravada em um único take depois das luzes apagarem.
Reação dos fãs/mercado
Nas redes, a comunidade nerd reagiu como se fosse um episódio de Game of Thrones com spoiler: memes de “when you realize your wallet is digital” inundaram o Twitter, enquanto fãs de John Turturro já estavam editando GIFs da dança para usar como reação em chats de Discord. Nos fóruns de cinema, a maioria dos comentários elogiou a “vibe vintage” do filme e a trilha de Gary Lionelli, descrita como “o melhor jazz‑funk do ano”. Por outro lado, alguns críticos apontaram que a nostalgia pode ser uma faca de dois gumes, lembrando que o público mais jovem pode não se identificar com a ideia de “roubar uma carteira de papel”.
Do ponto de vista comercial, a estratégia de exibição limitada seguida de expansão nacional parece estar funcionando: as bilheterias de cidades como Nova York, Los Angeles e São Paulo mostraram aumento de 15 % nas primeiras duas semanas, segundo dados de bilheteria que ainda não foram divulgados oficialmente, mas que circulam em newsletters de distribuidores.
O que esperar
Segan deixou entrever que já tem projetos em fase de desenvolvimento para 2027, mas ainda não revelou detalhes. O que ficou claro é que ele pretende manter a mesma "família" de colaboradores – cinematógrafo Sam Levy, editor Hilda e a produtora Mutant, liderada por Mo Shafeek – para garantir que o tom “analógico com coração digital” continue presente.
Além disso, a entrevista trouxe um spoiler sutil sobre o final do filme: a última tomada, que mostra o protagonista caminhando para o pôr‑do‑sol, foi feita em quatro tentativas, cada uma com cerca de sete minutos de filmagem, aproveitando a luz natural que mudava lentamente. Isso indica que, se houver um corte diretor, ele provavelmente será ainda mais longo, oferecendo aos fãs material extra para analisar.
Por fim, a trilha sonora tem planos de virar vinil – um detalhe que Segan confirmou ao mencionar seu amigo Mo Shafeek, dono da Mutant, como o responsável pela futura edição física. Se você ainda não tem um toca‑vinil, talvez seja a hora de comprar um, porque essa música merece ser ouvida em alta fidelidade.
Para ficar no radar
Se você acompanha o cenário indie, vale ficar de olho nas próximas colaborações entre Segan e Johnson, já que o último comentou que ainda tem “alguns truques de roteiro guardados” que podem aparecer em futuros projetos. Enquanto isso, o filme segue nas salas de cinema e nas playlists de streaming, provando que, mesmo em 2026, ainda há espaço para histórias de ladrões que preferem o toque de uma carteira ao toque de tela.


