O estúdio sueco Off-leash Interactive, em parceria com a Fireshine Games, revelou hoje o próximo título da sua cartela: Trollheim: Gnomes, um survival‑crafting que coloca o jogador na pele de um gnomo de três polegadas explorando florestas nórdicas geradas proceduralmente.
O que aconteceu
Durante uma coletiva de imprensa realizada no início de outubro, os desenvolvedores mostraram imagens de gnomos escalando troncos gigantes, acendendo fogueiras sob cogumelos luminosos e interagindo com criaturas sobrenaturais chamadas Väsen. O jogo promete um modo multiplayer para até oito participantes, onde a cooperação – ou a sutil competição – será central. A mecânica de construção permite que os jogadores criem abrigos camuflados entre raízes, musgo e folhas, reforçando a sensação de estar realmente minúsculo num mundo colossal.
Embora ainda não tenha data de lançamento, a equipe já está aceitando inscrições para testes fechados, indicando que o projeto está em fase avançada de desenvolvimento.
Como chegamos aqui
Off-leash Interactive não é um nome desconhecido. O diretor de jogo, Jojje Dalunde, passou nove anos na DICE, responsável pela série Battlefield, enquanto o CEO Jakob Munthe foi executivo de produção na Paradox Interactive, onde trabalhou em títulos como Vampire: The Masquerade – Bloodlines 2. Essa bagagem traz uma mistura curiosa de experiência em jogos de grande escala e atenção a detalhes narrativos.
Além da liderança, a equipe conta com Josefin Lindgren, ex‑produtora de arte da Starbreeze (conhecida por Payday) e da Coldwood Interactive, responsável por Unravel. A influência de Unravel é perceptível nas texturas orgânicas e nos materiais de construção que lembram o encanto rústico do título.
O conceito do jogo nasceu da visão do cineasta Björne Larson, que admitiu que sua infância nas florestas nórdicas, guiada por sua avó, moldou a narrativa. Segundo Larson, “perdi a noção de lar após o divórcio dos meus pais, mas a floresta me devolveu esse sentimento”. Essa carga emocional foi traduzida em um universo onde os gnomos são expulsos de Midgård por um Oden corrompido e precisam encontrar um novo lar em Trollheim.
O resultado é um cenário que combina a estética de contos de fadas com a mecânica de sobrevivência típica de jogos como Grounded. No entanto, ao contrário de seu concorrente, Trollheim: Gnomes enfatiza a verticalidade: troncos que chegam ao céu e folhas que formam verdadeiros labirintos.
O que vem depois
Com o convite aberto para playtests, a comunidade já demonstra curiosidade em torno das possibilidades cooperativas. A proposta de “esconderijos camuflados” pode gerar estratégias de furtividade semelhantes a jogos de esconde‑esconde, enquanto o sistema de presentes – que permite curar jogadores e NPCs com poções e sopros de flauta – adiciona uma camada de empatia pouco comum em survivals competitivos.
Entretanto, há críticas que merecem atenção. O artigo original menciona que o sistema de construção ainda se baseia em “templates holográficos”, algo que pode quebrar a imersão ao lembrar demais jogos de construção padrão. Além disso, a presença de mecânicas familiares, como um hang‑glider reminiscentes de Zelda: Breath of the Wild, pode ser vista como falta de originalidade.
Em termos de conteúdo futuro, espera‑se que a desenvolvedora refine a IA dos Väsen, tornando‑os mais que simples “vizinhos” e verdadeiros parceiros ou antagonistas conforme a escolha do jogador. A ausência de modo PvP declarado também abre espaço para que a comunidade crie suas próprias regras de conflito, algo que já aconteceu em outros jogos sandbox.
O que falta saber
Alguns pontos ainda permanecem nebulosos:
- Data oficial de lançamento – ainda não anunciada.
- Preço do jogo – ainda não revelado.
- Detalhes sobre o número máximo de jogadores simultâneos em servidores públicos.
- Se haverá suporte pós‑lançamento, como DLCs ou expansão de mapas.
O que é certo é que Trollheim: Gnomes traz uma proposta ousada: combinar a intimidade de um personagem diminuto com a grandiosidade de uma floresta nórdica viva. Se a equipe conseguir equilibrar a originalidade estética com mecânicas de sobrevivência refinadas, o jogo pode se tornar um marco nos títulos indie de exploração. Caso contrário, corre o risco de se perder em um mar de “survival‑craft” genéricos.
Onde isso pode dar
Se a comunidade abraçar a experiência cooperativa e a narrativa pessoal de Larson, Trollheim: Gnomes pode gerar um nicho de jogadores que buscam algo mais contemplativo que competitivo. A proposta de criar lares minúsculos entre as raízes pode inspirar mods e conteúdos criados pelos usuários, ampliando a vida útil do título.
Por outro lado, se as críticas ao sistema de construção e à falta de inovação mecânica se consolidarem, o jogo pode ser esquecido rapidamente após o hype inicial. O futuro dependerá da capacidade da Off-leash Interactive de ouvir o feedback dos playtests e de entregar um produto que realmente faça o jogador sentir que encontrou um novo “lar” nas florestas de Trollheim.


