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GameMaker Engine fica gratuito para uso comercial no PC

· · 5 min de leitura
Cena do jogo GameMaker
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TL;DR: A partir de 1º de janeiro de 2027, o GameMaker engine pode ser usado de graça para publicar jogos comerciais no PC.

O que aconteceu

Depois de quase três décadas de existência, a suíte de criação de jogos da YoYo Games – agora parte da Opera – anunciou que a licença Professional deixará de ser obrigatória para quem quer vender jogos no PC. Em termos simples: desenvolvedores indie poderão publicar seus títulos sem pagar nada, contanto que a plataforma de destino seja o computador.

Vale lembrar que a mudança não se aplica a consoles. Ainda será preciso comprar a licença Enterprise e ser aprovado pela plataforma para exportar para PlayStation, Xbox ou Switch. Mas, convenhamos, a maioria dos projetos indie ainda vive de PC, Steam e itch.io, então a novidade já dá um baita alívio ao bolso.

O anúncio foi oficialmente detalhado por Ross Manthorpe, membro da comunidade GameMaker, em um post no blog da própria ferramenta. Ele explicou que quem já possui a licença Professional manterá os direitos de distribuição comercial dos jogos feitos com o runtime GMS2, além de ganhar acesso ao código‑fonte do runtime. Não haverá alterações nos preços das demais camadas de licença.

Como chegamos aqui

GameMaker nasceu em 1999 como um ambiente de desenvolvimento focado em 2D e voltado para quem ainda não dominava linguagens de programação. Ao longo dos anos, o motor evoluiu, incorporando suporte parcial a 3D com o GameMaker Runtime, mas sempre manteve a proposta de ser acessível.

Ao longo da história, o motor foi a base de sucessos indie que marcaram a última década:

  • Undertale – criado por Toby Fox, um dos jogos mais comentados por sua narrativa inesperada.
  • Hotline Miami – da Dennaton Games, conhecido por sua violência estilizada e trilha sonora pulsante.
  • Spelunky – de Derek Yu, que transformou o gênero roguelike em febre nas plataformas digitais.
  • Hyper Light Drifter – da Heart Machine, um tribute visual ao clássico 16‑bit.
  • Nuclear Throne – da Vlambeer, que mostrou que um motor simples pode gerar caos intenso.

Esses títulos provaram que, mesmo sem gráficos fotorrealistas, um motor bem afinado pode gerar experiências memoráveis. A popularidade desses jogos também trouxe críticas à política de licenciamento da YoYo Games, que exigia a compra da versão Professional para qualquer monetização.

Em novembro de 2023, a empresa já havia anunciado que o GameMaker seria gratuito para uso não‑comercial em PC, web e mobile. A decisão de abrir a porta para uso comercial agora parece ser a continuação natural desse caminho, reforçando a estratégia da Opera de atrair desenvolvedores para seu ecossistema.

O que vem depois

Com a licença Professional fora de cena para PC, a comunidade indie deve sentir um impulso criativo. Menos burocracia e custos significa que mais pessoas podem experimentar ideias ousadas, sem medo de que o investimento inicial seja engolido por taxas de licença.

Alguns pontos que merecem atenção nos próximos meses:

  1. Atualizações do GameMaker Runtime: a YoYo Games prometeu melhorar as ferramentas 3D, o que pode abrir espaço para projetos híbridos que misturam 2D e 3D.
  2. Novas políticas de publicação: plataformas como Steam e Epic Games podem ajustar requisitos de royalties ou suporte técnico para jogos feitos com GameMaker.
  3. Comunidade e suporte: a abertura para uso comercial pode gerar mais tutoriais, assets gratuitos e pacotes de código, alimentando um ciclo virtuoso de aprendizado.

Para quem ainda está na dúvida entre GameMaker e outras engines (Unity, Godot, Unreal), a questão agora se resume a preferência de workflow e ao tipo de projeto. Se o foco é 2D rápido, com pouca curva de aprendizado, GameMaker continua sendo uma das melhores apostas.

Mas não se engane: a licença Enterprise ainda será necessária para consoles, e a política de aprovação pode ser tão rigorosa quanto a de outras engines. Portanto, se seu objetivo final for lançar em PlayStation ou Xbox, talvez ainda seja preciso investir numa licença paga.

Datas e o que falta saber

A mudança entra em vigor no primeiro dia de 2027. Até lá, desenvolvedores que ainda não migraram para a versão mais recente do GameMaker Runtime podem aproveitar o período de transição para atualizar projetos antigos e testar os novos recursos.

O que ainda não foi confirmado são detalhes sobre possíveis promoções ou bundles que a YoYo Games possa lançar junto com a nova política. Também não há informações sobre alterações nos planos de suporte ao cliente ou na documentação oficial.

Enquanto isso, a comunidade já está fervilhando nos fóruns e no discord oficial, trocando dicas de como otimizar jogos para PC sem a camada de licença paga. Se você tem um protótipo pronto, talvez seja a hora de colocar o build no Steam e ver a reação dos jogadores – sem gastar um centavo a mais.

Em resumo, a decisão da YoYo Games pode ser vista como um “pish posh” ao futuro dos consoles, mas para a maioria dos criadores indie, é um verdadeiro “chega de taxa”. Prepare seu projeto, ajuste o runtime e boa sorte na jornada de publicar seu próximo hit.

Perguntas frequentes

GameMaker será gratuito para todas as plataformas? ▾
Não. A gratuidade se aplica apenas ao uso comercial no PC. Para consoles ainda é necessária a licença Enterprise.
Posso usar a versão gratuita em projetos já lançados? ▾
Sim. Quem já possui a licença Professional pode continuar vendendo jogos feitos com o runtime GMS2 e ainda recebe acesso ao código‑fonte do runtime.
Quando a mudança entra em vigor? ▾
A partir de 1º de janeiro de 2027.
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